Tela do artista plástico moçambicano Antero Machado.

Tela do artista plástico moçambicano Antero Machado.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Carão

 

Ontem fui ao supermercado e vi uma placa  dizendo que o arroz estava em promoção a 16,50

Vi um senhor com um carrinho com uns 20 pacotes e eu indo a prateleira vi que la não tinha mais nenhum....

Fui até seu carrinho e atrevidamente peguei 2 pacotes e coloquei de imediato no meu. 

Ele não esboçou nenhuma reação!

Fiquei olhando para ele, de cara amarrada, e ainda o interpelei se ele não sentia vergonha de pegar tudo aquilo e deixar os outros sem nenhum. Questão de empatia, solidariedade!

Ele me deixou esbravejando com uma cara impassível! Num intervalo da minha bronca ele gentilmente me respondeu:

- Calma senhor, eu sou apenas o repositor do mercado

Eu, sem graça, estou procurando minha cara no chão até agora...






terça-feira, 3 de novembro de 2020

Por onde anda o humor? O humor do Barão de Itararé!

Se há hoje um insumo escasso (ou mesmo ausente) na vida brasileira, sobretudo na política, não há dúvida de que é o humor. Nem sempre foi assim. Crises, de variados tamanhos, nunca faltaram ao país, mas o humor as permeava, mesmo nos seus piores momentos. É sua missão moral, física e metafísica. Não importa a ideologia, todos os que adentram a vida pública se expõem, gostando ou não, à Sua Excelência, o Humor. Uma caricatura vale mais que um editorial e diz mais da realidade que um tratado sociológico. Tem a síntese e a contundência de um poema gráfico. E o detalhe: não há humor a favor. É a mais ferina ferramenta crítica que Deus inseriu na Criação. Todos gostam de rir… dos outros. Só o sábio ri de si mesmo. Mas sabedoria e política raramente se encontram. Por isso, quando o tempo fecha – isto é, quando a democracia faz as malas e sai de cena -, os primeiros a entrar em cana são os humoristas. Vamos aqui falar de um deles. Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), o Barão de Itararé, pontificou na imprensa dos anos 20 aos anos 60. Não obstante sua longevidade, é nome esquecido. Gaúcho de Rio Grande, iniciou-se no âmbito regional, mas, com a ocupação gaúcha do Rio de Janeiro, consolidada após a Revolução de 30, veio para a então capital federal. Veio, porém, na contramão de seus conterrâneos getulistas, que o perseguiriam – e o levariam mais de uma vez à prisão. Criou um jornal de humor que, já no título, parodiava outro; havia “A Manhã”, do jornalista e polemista Mário Rodrigues (pai do Nélson Rodrigues), e o Barão criou “A Manha”, que geraria o “Almanhaque”, hoje preciosidade de bibliófilos. Em pleno Estado Novo, “A Manha” publicou, na primeira página, foto de um bebê gorducho pelado, com a legenda: “GG quando BB”. GG era o apelido de Getúlio, mas ditaduras não gostam de intimidades. A polícia invadiu o escritório do Barão e deu-lhe uma surra. Ele então colocou uma placa na porta: “Entre sem bater”. Inicialmente, assinava Apporely, abreviação de seu extenso nome. Mas acabou chegando ao pseudônimo que o consagrou a partir da conjunção de dois acontecimentos. O primeiro, a anistia à família imperial, no governo Epitácio Pessoa, anos 20. Descendentes dos antigos nobres do Império, que escondiam sua origem, decidiram exibi-la. Já não havia riscos e tornou-se chique, fonte de prestígio. Apareceram, como era de se prever, os falsos nobres e os barões de araque, como se dizia. Mais adiante, na revolução de 30, aguardava-se o embate sangrento – o início de uma guerra civil sem precedentes – entre as forças revolucionárias de Getúlio Vargas e as tropas federais, aliadas do presidente Washington Luiz. O confronto se daria no município paranaense de Itararé. Mas acabou não acontecendo. Houve acordo. E o termo Itararé – “a batalha que não houve” – associou-se a algo que inexistiu. Dizia-se: “A festa do fulano? Foi uma festa de Itararé, uma festa de nada”. Surge então o barão inexistente: o Barão de Itararé, cujo brasão, de uma antinobreza total, era um prato, com um frango assado e talheres cruzados. Após a Intentona Comunista, de 1935, o Barão, que já estivera algumas vezes na prisão, para lá voltou. Ele e um imenso contingente de artistas, intelectuais e ativistas. A pretexto do acontecido, o governo Vargas, como preâmbulo do Estado Novo, que viria dois anos depois, iniciou uma série de prisões por todo o país. Entre outros, lá estava o escritor alagoano Graciliano Ramos, ainda desconhecido. Sujeito seco e sisudo, de sorriso escasso, não resistiu ao Barão. E o incluiu em suas “Memórias do Cárcere” (recém-reeditadas pela Editora Record). No ambiente depressivo da prisão, a chegada do Barão (recorda Graciliano) alegrou a todos. Ele criou a “Rádio Libertadora”, com uma “programação em grade”, narrada de dentro da cela. E não apenas fez Graciliano rir, como levar o riso às “Memórias”, com a “Teoria das Duas Hipóteses”. Ei-la, como Graciliano a recordou: “Apporely sustentava que tudo ia muito bem. Fundava-se a demonstração no exame de um fato de que surgiam duas alternativas; excluía-se uma, desdobrava-se a segunda em outras duas; uma se eliminava, a outra se bipartia, e assim por diante, numa cadeia comprida. Ali, onde vivíamos, Apporely afirmava, utilizando o seu método, que não havia motivo para receio. Que nos poderia acontecer? Seríamos postos em liberdade ou continuaríamos presos. Se nos soltassem, bem: era o que desejávamos. Se ficássemos na prisão, deixar-nos-iam sem processo ou com processo. Se não nos processássemos, bem: à falta de provas, cedo ou tarde, nos mandariam embora. Se nos processassem, seríamos julgados, absolvidos ou condenados. Se nos absolvessem, bem: nada melhor esperaríamos. Se nos condenassem, dar-nos-iam pena leve ou pena grande. Se se contentassem com pena leve, muito bem: descansaríamos algum tempo, sustentados pelo governo, depois iríamos para a rua. Se nos arrumassem pena dura, seríamos anistiados ou não. Se fôssemos anistiados, excelente: era como se não houvesse condenação. Se não nos anistiassem, cumpriríamos sentença ou morreríamos. Se cumpríssemos sentença, magnífico: voltaríamos para casa. Se morrêssemos, iríamos para o céu ou para o inferno. Se fôssemos para o céu, ótimo: era a suprema aspiração de cada um. E se fôssemos para o inferno? A cadeia findava aí.” O Barão tinha suas vítimas prediletas. Uma delas, Plínio Salgado, o líder do Integralismo, cujo lema era “Deus, Pátria e Família”. Por um lapso auditivo, disse ele, quase se filiou àquela corrente ideológica: “Entendi Adeus, Pátria e Família”. “O mal de certos políticos não é a falta de persistência. É a persistência na falta. BARÃO DE ITARARÉ Outro de seus alvos era o governador de São Paulo, Adhemar de Barros, um dos ícones do fisiologismo político de então, cujos aliados, orgulhosos, proclamavam: “Rouba, mas faz”. Adhemar candidatou-se à Presidência da República em 1960. E um de seus aliados foi pedir ao Barão uma quadrinha para uso na campanha. E o Barão saiu-se com esta: “Deus fez o homem do barro/do barro bom e batuta/mas esse Adhemar de Barros/que barro filho da puta!”. A contribuição não foi aceita. O senso de improviso é um dom dos humoristas. O repórter perguntou ao Barão como ele interpretava a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein. E ele: “O quebra-noz é bom pra nós – e ruim pra noz”. Sua definição de anistia: “ato pelo qual o governo perdoa generosamente as injustiças e crimes que ele mesmo cometeu”. E de orçamento: “conta que o governo faz para saber onde aplicar um dinheiro que ele já gastou”. E gostava de inverter ditos populares: “de onde menos se espera… daí é que não sai nada”. Ou então” “Tempo é dinheiro? Paguemos nossas dívidas com o tempo”. Foi candidato a vereador pelo Rio – e se elegeu. Seu compromisso de campanha: “Farei na vida pública tudo o que faço na privada”. O Barão faz falta, sobretudo num momento como este. *** Texto de Ruy Fabiano, Carioca, é jornalista e escritor. Começou como repórter em O Globo, em 1972. Foi crítico de música de Última Hora e autor, nos anos 70, de verbetes de música, na Enciclopédia Barsa, sob a supervisão de Antônio Houaiss. A partir de 1979, em Brasília, dedicou-se ao jornalismo político. É autor de um romance, Profanação (A Girafa, 253 p., SP, 2005), o livro de contos "Os Arquivos de Deus" (Editora Novo Século, 209 p. SP, 2008 p.) e de um ensaio sobre “A espiritualidade em Machado de Assis”

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

"PESSOAS TÓXICAS" - MUITO CUIDADO!

Muitos dos problemas de autoestima que afetam milhares de jovens e adultos nada têm a ver com doenças de caráter emocional ou psicológico, (embora possam vir a se tornar um problema desse gênero), mas a sua gênese está nas pessoas tóxicas que permitem que interfiram e permaneçam na sua vida. Estas pessoas têm a capacidade de despertar o pior que há em nós e até de nos fazer acreditar que somos frágeis, instáveis, incapazes de tomar decisões sem o seu parecer, incapazes de nos relacionar com o próximo e de sermos independentes. Por norma, as pessoas tóxicas procuram controlar os outros através do abuso emocional. Levam os que lhes são próximos- através das críticas constantes- a crer que algo terrível lhes acontecerá se algum dia se desprenderem deles. Incapazes de fazer um elogio, dão ares de conhecer grandes segredos a respeito das outras pessoas, de saber coisas que mais ninguém sabe, tudo para os certificar que a terra para de girar se eles assim o desejarem. Muitas pessoas adultas e talentosas vêm os seus casamentos fracassar por causa de pais tóxicos. Pais, irmãos, amizades e relacionamentos amorosos altamente tóxicos. Conhece alguém que o tira do sério? Logo você que é bem visto no seu emprego, que é um bom cidadão, que é querido pelos amigos, alguém a quem atribuem qualidades pessoais e profissionais com alguma facilidade, mas que quando a pessoa tóxica chega perto , não só o leva a desencadear um ataque de fúria como ainda consegue sair da situação como vítima? Conhece alguém que não poupa de o envergonhar em público, de expor a sua intimidade, os seus segredos, as suas dificuldades, as suas trapalhadas de infância, nos momentos mais inapropriados só com a intenção de o envergonhar? E o pior é que as coisas são feitas de tal maneira que se você tentar refutar os argumentos da pessoa, seja com um sorriso forçado, seja com indignação evidente, acaba sempre por ficar mal visto. Só há uma saída, por vezes dolorosa, sobretudo se estamos falando dos nossos próprios pais, irmãos, tios, parceiro sentimental, etc. Só há uma saída: afaste-se. Se o laço familiar não permitir um corte 100%, fale e conviva apenas o necessário e não fique com remorsos, porque, repare: se insistir num relacionamento tóxico, a loucura do outro vai acabar por enlouquecê-lo. Mais vale estar só e saudável do que doente ao lado de alguém. Não precisamos de mais mentes distorcidas na sociedade, nem de gente viciada em dramas. Precisamos é de sanidade mental e de pessoas capazes de conviver com o sucesso alheio, desprendidas de inveja, de competição e de outros sentimentos destrutivos. " Diálogos do cotidiano Aglair Grein - Psicanalista [Texto adaptado da Web] *** Lendo este texto, não posso deixar de tecer minhas considerações, Tudo tem outros lados, depende dos olhos de quem vê. Não existe apenas o "agressor" toxico, existe tambem a "vitima" toxica Acredito tambem em outras perspectivas ou visões. Entendo perfeitamente a gravidade dessa situação,especialmente quando ocorrida com crianças e adolescentes. Mas penso ser imprescindível a autocrítica, encarar a real possibilidade do "tóxico" (já quequerem chamar alguém dessa forma) ser você mesmo. Existem muitos adultos que se absorvem de negatividade e pessimismo, que estão sempre se vitimizando ecolocando a culpa de seus problemas e fragilidades em terceiros. Sim,fragilidades, pessoais e completamente oriundas de si mesmo. Pessoas assim estão sempre prontas para um confronto ou um drama, no mínimo sinal de interferência de um terceiro elas se armam, estão na defensiva para se colocar na posição de atacado, por mais boba e despretensiosa que essa interferência possa ser. Sua maior característica é se lamentar, contabilizar seus problemas e assim ser consolado por seus amigos próximos, mas inclusive esses amigos/familiares sabem bem dessa tendência a vitimização, e exatamente por isso não contrariam, não criticam, não palpitam, mesmo quando necessário. Pessoas assim são rancorosas, vingativas e sempre, sempre mesmo, encontrarão alguém para culpar por suas paranóias. Hoje se afastarão de um, mas na próxima semana, não mais que de repente, perceberão que outra pessoa considerada por ela "tóxica" cruzou o seu caminho. Digo isso pois conheço pessoas assim e penso que nem toda insegurança e fragilidade emocional sejam algo alimentado por terceiros. Aliás, penso que quanto menos você encontrar culpa por seus defeitos em outros, mais maturidade e boa índole você possui. Afinal é muito fácil evitar de se encarar no espelho e dar de cara com sua própria toxina.

domingo, 25 de outubro de 2020

sábado, 21 de maio de 2016

CAUSOS DE MINAS XXIX

O BATIZADO



Nos rincões de Minas, toda currutelazinha, tem pelo menos uma capelinha.
Mas Padre que é bom, muito poucos.
O Pároco da região costuma correr estas currutela, de tempos em tempos, e as vezes ficam muitos anjinhos sem batizar, muita gente amigado sem casar.
Quando o vigário chega, correm todos pra arrumar a situação perante a igreja.
Afinal, quem  que quer ir pro inferno?
Visitar o belzebu?
Numa dessas, visitas, o padre Feliciano, chegou numa aldeiazinha, Morada Nova,  e o povo logo fez fila pros batizados.


Dona Ivonete foi batizar a filhinha que já tinha um ano.
O padre logo  começou o interrogatório:
- Nome?
- Maria Ambrosina
- Nome da mãe?
- Sou eui méis, Josefina Ivonete...
- Nome do pai?
- Num posso dizê....
- Tem que dizer. Se não disser, não batizo!!!
- Mas seu padre, eu num posso fala....
- Ou diz ou não batizo – reafirmou o padre!

Ivonete, sem saber o que dizer. Se não fala, o padre não batiza a pagã. Vai deixar a menina ir pro inferno? Pensou bem e resolveu:

- Ta bao, ta bao, já que é assim eu falo....
É o frei Jose Firmino!
- Uai, o frei Firmino tirou a batina? – perguntou o padre.

Ao que prontamente responde a Ivonete:

- Não sinhô, padre. Ele sigurou com os dente!!!!!



quinta-feira, 19 de maio de 2016

CAUSOS DE MINAS XXVIII

JOGO DOS ANTOMO




Nos botecos de Minas, tem de tudo.
É o local onde o pessoal da cidade se encontra, pra levar um papinho, tomar uma pinga, assuntar sobre as ultimas novidades e principalmente pra passar o tempo.
Outro dia, passando pela venda do Jeremias, observei dois caboclinhos, jogando um joguinho diversas interessante.
Segundo eles, o jogo se chamava “jogo dos antomo” e cada rodada valia uma pinga.
Esse eu não conhecia, parei pra ver.
Conto pra vocês o que vi .
E o jogo começa:

-  Gordo
-  Magro
-  Homi
-  Muié
-  Pretro
-  Branco
-  Verde
-  Verde?!? Nada disso, sô! Verde é cor, num tem antomo não!!!
- Craro que tem sô!
-  E é quar?
-  Maduro, uai!
-  Viche, né qui é mermo?
-  Manda la minha pinga......
-  Vamo de novo, mas eu vô cumeçá, agora vô ganhá!!!!

E partiram para a segunda rodada:

- Podi  cumeçá ocê intão...
- Vamo lá....
Saúde
- Duença
- Moiado
- Seco
- Deus
- Diabo
- Fumo
- Fumo?!? Dedi quandofumo tem antomo?
- Cê é burro dimais, sô! Craro qui tem....
O antomo de fumo é craro qui é vortemo!!!!
Ganhei......

E assim, passei a noite, me divertindo a valer.

Não é que os caboclinhos eram bem espertinhos?



sábado, 14 de maio de 2016

CAUSOS DE MINAS XXVII

                                                                   NARIZTUPIDO





He He Minas Gerais.
Minas é uma terra de gente boa, simples, enraizados no lugar.
Gente que adora sua cultura, suas comidas e sua gente.
Nesses tempos de hoje, de mundo globalizado, da web, do zap zap, mesmo assim se mantem na mesma simplicidade e ingenuidade.
Vou contar um causo pra vocês, para verem como são, ainda hoje, as coisas por aqui.

                                                                       ***

No interior de minas, um casal de amigos caminhava pelo pasto de uma fazenda, ate que viram um cavalo transando com uma égua, e a amiga perguntou:

- Cazarberto........, qui é aquilo?
- Elis tão casalano, sô! A égua tá no cio, o cavalo percebeu isso e tá mandano brasa!!!
- Mas cumé qui o cavalo sabei qui ela tá no cio, Casarberto?
Aaaara!! É qui o cavalo senti o chero da égua no cio, sô!

Passaram mais adiante, e tinha um bode transando com uma cabra, e a amiga perguntou de novo, e o amigo deu a mesma resposta:

Andaram mais um pouco, e viram um touro transando com uma vaca, e ela tornou a perguntar, e ele deu a mesma resposta:

- O toro senti o chero da vaca no cio!

Continuaram caminhando, os dois em silencio, e de repente a moça para e pergunta:
- Õ Casarberto, se eu perguntá uma coisa procê, õce jura que num vai fica chatiado?
- Craro que não Rosinha, õce podi preguntá!

- Ocê tá com o nariztupido???????



* Caso de domínio popular



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

CAUSUS DE MINAS XXVI – A CURA



Ah, essas Minas Gerais!
Eita terra de povo bão, como se diz por aqui.
Nessas minhas andanças pela minha terra, dei de cara com uma pequena comunidade, a beira de um riachinho, lá pras bandas da Serra do Cipó.
Como sempre faço, parei numa venda para um cafezinho e, como é minha característica, assuntar com o dono do local sobre o povo da região.
São os “causos” destas pessoas simples que mostram toda a riqueza e beleza das gentes das gerais. 
Eles sempre tem historias pra contar.
Dito e feito! Conversa vai, conversa vem, uma broa aqui, um pãozinho de queijo ali, mais um café com rapadura.... e eis, que no meio da conversa, adentra no estabelecimento o Dr. Diogenes, medico da região.
O Dr. mora em uma cidade próxima e percorre a região atendendo aos chamados.
Medico experiente, vivido, com quase quarenta anos de clinica, já viu de tudo um pouco.
Porem, exatamente nesse dia, ao atender a um chamado, uma coisa inusitada aconteceu.
Ele chegou a venda, ainda espantado com o acontecimento, e logo se pos a contar o fato.
Ele contou lá, com todo seu sotaque mineiro, e eu repito aqui pra vocês:
- Cês num vão acreditá!
- Acreditar no que, doutô? Disse o dono da venda.....
- Sabe o Seu Toinzinho, da Maricota, la do Desemboque, avô do Salustiano?
- Sei....
- Pois é, fui chamado la pra atendê ele, pois disseram que tava nas urtimas.... Chegando lá, vi o véio deitado no catre, dismilinguido, branco, parado, parado quetinho com os óio fechado. Parecia já defunto!
-Viche, doutô, e aí?
- Bão, já que eu tava ali, examinei o véio. Ainda tava vivo! Mas tava ruinzinho dimais. Disnutrido, coração fraquinho quase parando, e uma moleza que fazia dó!
A família toda chorosa em vorta, me pidindo que fizesse arguma coisa. Fazê o que?
Véio disnutrido é igual criancinha de leite, quarquer coisa dirruba.
Pensando nisso, e sem nenhuma outra alternativa da medicina, perguntei:
- Tem alguma moça parida recente aqui por perto? Se tiver traga lá......
Pensava com meus botões, quem sabe se um pouquinho de leite materno num ajuda ele? Num tem nada melhor pros bacurizinhos do que leite da mãe... Ele tá qui nem bacuri..... Quem sabe......
Num deu cinco minutos e entra na casa uma moça,  ainda novinha, com um bebe no colo.
Rapariga forte da roça, roliça, cheia de carnes e com seios fartos, volumosos.
Expliquei a ela a minha ideia e ela, solidaria, topou!
Levei ela pro quarto e coloquei ela sentada ao lado do catre, pertinho do véio.
Pedi uma colherzinha de café, e a moça, desnudando os seios, colheu um pouquinho do leite, que gotejava de seus mamilos.
Levei a colherzinha, com muito cuidado, aos lábios do véio.
Surpresa!!!!!
Quase imediatamente ele abriu um olho.......
Espanto geral!!!
De pronto, pedi que trouxessem uma colher de chá.
Repeti o procedimento e......o véio abriu o outro olho!!!!
Pedi então uma colher de sopa, resolvido a aumentar a dose.
Com essa nova dose, o véio, ate já um pouco mais corado, se assenta na cama......
Pra meu espanto, ele murmura alguma coisa.... remedinho bão esse, pensei comigo mesmo.
Me aproximei mais dele, tentando entender o que dizia.
- Tá melhor, Seu Toinzinho?  Posso fazer mais alguma coisa pro sinhô?
Pra meu espanto, o véio, com um sorriso malicioso, olhando pra cabocla, me disse:
- Num era mió eu mamá não?


Ah, essas Minas Gerais.......






terça-feira, 28 de maio de 2013

O FRANGO!




PORQUE O FRANGO ATRAVESSOU A RUA?

Recebi um texto por e-mail e achei bastante interessante. Dando uma olhadinha na net percebi que varias pessoas o completaram, acrescentando novas visões. Dei tambem o meu pitaco e apresento aqui essa coletânea. É longa, mas é deliciosa, pela sua criatividade. Um frango atravessou a rua e, este simples ato, foi interpretado assim por diversas pessoas, todas elas conhecidas, cada um com o seu intelecto, cada qual a sua maneira:

Platão: porque queria alcançar o bem
Aristoteles: porque é da natureza do frango atravessar a rua
Sócrates: tudo que sei é que não sei.
Parmênides: o frango não atravessou a estrada porque não podia mover-se. O movimento não existe
Blaise Pascal: quem sabe? O coração do frango tem razões que a própria razão desconhece.
Sartre: trata-se de mera fatalidade. A existência do frango está em sua liberdade de cruzar a estrada.
Pavlov: porque antes eu tocava uma sineta e oferecia alimento ao frango do outro lado da rua. Agora, após vários experimentos iguais, basta tocar a sineta sem lhe dar alimento que ele a atravessará. É o condicionamento!
Clarice Lispector: a essência do frango está nas suas patas. As patas têm o frango. Quem vê as patas, vê o frango. A essência das patas é o correr, o correr abstrato. A estrada é a essência do correr. Quem vê o correr, vê a estrada.
Hipócrates: devido a um excesso de humores em seu pâncreas.
Kant: o frango seguiu apenas o imperativo categórico próprio dos frangos. É uma questão de razão prática.
Estóicos: o frango atravessou a estrada porque esse é um acontecimento necessário. É o destino. Já estava previsto pela ordem universal do cosmos.
Epicuristas: é prazeroso ao frango atravessar estradas. O que você acha, amigo?
Filósofos da escola de Frankfurt: é uma questão medíocre imposta pelos mentores de uma arte de massas que transformou a imagem de um frango em mais um produto da indústria cultural.
Filósofos medievais: para responder a tal questão, devemos primeiro deliberar se a expressão “frango” é puro termo esvaziado de sentido ou se a palavra que expressa a idéia genérica e universal de frango, ou ainda se se trata de um frango concreto em particular.
Schopenhauer: no ato de atravessar, está fugindo de si mesmo numa tentativa de aliviar o tédio e sofrimento que é estar vivo neste mundo sem sentido.
Newton: 1) Frangos em repouso tendem a ficar em repouso; frangos em movimento tendem a cruzar a estrada. 2) por causa da atração gravitacional exercida pelos outros frangos que já estavam do outro lado da estrada.
Descartes: o frango pensou antes de atravessar a rua; logo, existe!
Rousseau: o frango por natureza é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva a travessar a rua.
Freud: na verdade a rua representa a relação com o seu progenitor, e o frango não é bem um frango....
Darwin: ao longo dos tempos, os frangos vem sendo seleciuonados de forma natural, de modo que, atuamente a sua evolução genética fe-los dotados da capacidade de cruzar a rua
Einsten: se o frango atravessou a rua ou a rua se moveu em sua direção, depende do ponto de vista. Tudo é relativo!
Marx: o atual estado das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos capazes de atravessar a rua.
Netzche: ele desejava superar a sua condição de frango para tornar-se um super frango.
Martin Luther King:eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos podem cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango sonhou.
George W Bush ; Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor de seu arsenal de armas de destruição massiva. Por isso tivemos que eliminar o frango.
Obama: yes, he can
Feministas: Para humilhar a franga, num gesto exibicionista, tipicamente machista, tentando, além disso, convence-la de que, enquanto franga, jamais estará habilitada a cruzar a rua!
Datena: E uma pouca vergonha! Uma barbaridade...pôe no ar...pôe no ar aí as imagens do frango atravessando a rua!
Paulo Maluf: meu governo é que construiu o maior numero de passarelas pra frangos. Se novamente eleito, vou construir mais galinheiros desse lado para o frango não precisar atravessar. Alem disso, vou colocar a ROTA na rua, para dar mais segurança para o frango
Maquiavel: o que importa o porque? Estabelecido o fim de atravessar a estrada, é irrelevante discutir os meios  que utilizou para isso
Che Guevara: hay que cruzar la carretera, pero sin jamás perder la ternura
Capitão nascimento: Quem deixou o frango passar? Não era pra passar nenhum frango, porra!Esse frango è um moleque! Me traz o saco plástico e um cabo de vassoura que esse fanfarrão vai abrir o bico!
BILL GATES: Eu acabei de lançar a Chicken Office 2000; além de atravessar ruas, põe ovos e manda e-mails!
Capitão Kirk: Para ir onde nenhum frango jamais esteve
Lula: Eu não sabia que o frango tinha atravessado a rua. Mas se atravessou, nunca antes, na história deste país, um frango pôde atravessar a rua.
Faustão: Ô loco meu, olha essa fera aí atravessando a rua! Quem sabe faz ao vivo!
Dilma - "O frango atravessou pra ir receber o BOLSA MILHO, que acabamos de criar para garantir a igualdade social dos frangos menos favorecidos"..
HELOISA HELENA:A culpa é das elites estelionatárias, caucasianas e aristocráticas que usurpam a população de galinhas e mostra a sua capacidade de luta em defesa dos seus direitos. 
Shopenhauer: No ato de atravessar, esta fugndo de si mesmo numa tentativa de aliviar o tédio e sofrimento que é estar vivo nesse mundo sem sentido.
Shakespeare: Atravessar ou não atravessar, eis a questão!
Agnósticos: é impossível saber se o frango realmente atravessou a estrada. A incerteza há de pairar eternamente sobre esta questão.
Céticos: dizem que ele atravessou, mas será que atravessou mesmo? Precisamos investigar tal questão detidamente antes de fazer qualquer declaração a respeito.
Investigadores forenses: as evidências coletadas no local da travessia indicam fortemente que o frango de fato atravessou a estrada.
Ateus: o frango não atravessou a estrada porque ele não existe. Isso é uma crendice estúpida.
Deterministas: o frango não teve escolha. Aliás, nunca terá escolha, o livre-arbítrio não existe.
Parapsicólogos: todos sabemos que ele atravessou a estrada. Entretanto, o frango não o fez com seu corpo material. O fenômeno se deu através de uma bilocação de natureza ectoplasmática possibilitada pelo seu corpo astral que transcende as leis da física. Ele, por desejar intensamente estar do outro lado da estrada, foi capaz de desmaterializar-se e teletransportar-se mentalmente a fim de realizar seu ardente anseio. Pesquisas de cunho científico já provaram que isso é possível. Blá, blá, blá e blá… mais informações em nosso centro de pesquisas www.blablabla.we.lie.
Cristãos: isso é um mistério que somente Deus pode responder.
Espíritas: o frango cruzou a estrada porque incorporou um espírito aventureiro.
Evangélicos: porque Jesus o ama.
Edir Macedo: por 10% que eu te conto.
Sabedoria popular: porque o lado de lá é sempre melhor.
Chapolin Colorado: todos os meus movimentos são friamente calculados.
Surfista: o bicho atravessou cara?… que demais… bicho manêro…
Maconheiro: olha isso cara… que viagem…
Fazendeiro: por causa de que arguém deixou a porta do galinheiro aberta.
Hemingway: to die alone in the rain.
Moisés: porque uma voz vinda do céu bradou ao frango: “cruza a estrada”. Então o frango cruzou a estrada e todos se regozijaram.
Ambientalista: Era um frango transgênico, não era?
Shintoista: Porque assim tem sido feito desde tempos imemoriais!
Sabio popular: porque o lado de lá é sempre melhor. 
Polyanna: Porque estava feliz.
Pinochet: El se fué, pero tengo muchos penachos de el en mi mano!
ACM: Estava tentando fugir, mas já tenho um dossiê pronto, comprovando que aquele frango pertence a Jorge Amado. Quem o pegar vai ter que se ver comigo.
Dorival Caymmi: Eu acho (pausa)... - Amááália, vai lá ver pra onde vai esse frango pra mim, minha filha, que o moço aqui tá querendo saber..
Paulo Coelho: Para exorcizar seus demônios internos e entrar em harmonia com seu espírito. Atravessar a estrada é um ritual simbólico de passagem pelas tormentas da alma em busca de seu próprio caminho, como São Tiago de Compostela
Hitler: Para provar a superioridade dos frangos arianos. 
Carl Jung: Está no inconsciente coletivo dos frangos atravessar a estrada. 
Gugu: Para ver o Pintinho Amarelinho.
Umbandísta: Cruzou a estrada para não virar ebó na encruzilhada..!!!
Ludvigg Van Beethoven: Tchan tchan tchan tchaaaaan!!!
Zeca Pagodinho: Porque do outro lado da rua tinha uma Brahma gelada
Nelson Rodrigues: Porque viu sua cunhada, uma galinha deliciosamente sedutora, voluptosa, passeando sozinha do outro lado. 
Caetano Veloso: O galinho é amaro, é lindo, uma coisa assim amara. Ele atravessou, atravessa e atravessará a estrada porque Moreno, neto de D.Canô, quisera comê-lo...ou não!!
Gilberto Gil: Esse menino, o frango traz consigo toda essa coisa linda de ser ave, ser um bicho penoso, no sentido de aflorar em si enquanto ser de pena toda uma franguitude, que é brasileira, que é do povo, do bicho, do ser que solta sua franga para além das fronteiras da rua, e isso é lindo!
Pedro Bial: Pra dar mais uma espiadinha.

Carla Perez: porque queria se juntar aos outros mamíferos!

Nota: Adaptado de texto recebido por e-mail


 

sábado, 25 de maio de 2013

INCONECTO (Repostagem)





A solidão as vezes me vem
na calada da noite...
e com ela acordo pela manhã.
Ela sempre passa à minha porta,
abre a boca, dentes alvos, sorri.
E me sussurra:
"- Quer companhia?."
A solidão não vem da falta de algumas pessoas,
mas da incapacidade de me conectar com elas.
Abra a sua janela,
olhe para fora, bem ali na calçada
você vai me ver andando sozinho.
Camiseta branca folgada,
numa calça bege,
mocassins camurça,
olhando para o céu...
A alguém interessa
o saber por quê?


Este poema foi escrito e publicado em março de 2011. 
E eu me sentia mesmo assim....
Como é bom viver a vida, caminhar por seus caminhos e vivenciar os presentes que ela nos dá. 
E que presente ela me deu!
Por um acaso alguém se interessou em saber o porque.
A conexão foi instalada.
E isso tem sido muito bom!!!!



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Casamento !?!?



Andei lendo algumas coisas sobre o casamento:

“Na carta que lhe escrevi dava-lhe, como me tinha pedido, a minha opinião sobre o casamento. É a seguinte: acho o casamento uma coisa revoltante! E isto por uma única razão mas que para mim é tudo, para mim e para aquelas mulheres que não são apenas fêmeas, para todas as delicadas, para todas as que têm pudor, espírito e consciência. Essa razão é a posse, essa suprema e grande lei da Natureza que, no entanto, revolta tudo quanto eu tenho de delicado e bom no íntimo da minha alma. Ganha-se um amigo muitas vezes, é certo; um amigo que às vezes é o nosso supremo amparo, mas em compensação quantas revoltas, quantas mágoas, quantas desilusões! Quantas!... A minha querida faz bem, faz muito bem em não se querer sujeitar ao mercado, à venda. Eu casei e casei por amor. É a única coisa que desculpa, no meu entender, o casamento, porque do contrário, quando nele apenas entram o interesse e a ambição, revolta-me e indigna-me.” (Florbela Espanca, in "Correspondência - 1916)"

“A verdadeira desvantagem do casamento é que nos despoja do egoísmo. E as pessoas que não são egoístas são absolutamente desinteressantes. Falta-lhes individualidade. Contudo, há certos temperamentos que se tornam mais complexos com o casamento. Mantêm o egotismo e acrescentam-lhe muitos outros egos. São obrigados a ter mais que uma vida. Tornam-se mais eficientes na sua disciplina, e uma organização eficiente é, segundo creio, o objectivo da existência do homem. Além disso, toda a experiência é válida e, por mais que se fale contra o casamento, não deixa de ser uma experiência.”
(Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray')

“Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se revelam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima o de Copérnico, bem como o de Ptolomeu - então, casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o Globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência.” (Emmanuel Kant, in 'Considerações sobre o Casamento em Resposta a Objecções')

Gosto mais da do Kant. Dá o que pensar.....
E pensando nisso, veio a minha cabeça duas piadinhas que descrevem bem a maioria dos casamentos que vemos por aí:

A primeira fala sobre as três formas de fazer sexo dentro de casa:

1) Na casa inteira - Típico dos recém-casados, fazem sexo na cozinha, no banheiro, na sala, no quarto etc...

2) No quarto - Típico dos casais que já estão juntos há algum tempo, fazem sexo apenas no quarto.

3) No corredor - Típico dos casais que já estão juntos há muito tempo, eles se encontram no corredor e um diz para o outro: "Vá se fu#*%!"

Já a outra fala sobre o marido, que ao chegar em casa no final da noite diz à mulher que já estava deitada :

- Querida, eu quero amá-la.
A mulher, que estava dormindo, com a voz embolada, responde:
- A mala… ah não sei onde está,não! Use a mochila que está no maleiro do quarto de visitas.
- Não é isso querida, hoje vou amar-te.
- Por mim, você pode ir até Júpiter, até Saturno e até à PQP, desde que me deixe dormir em paz…

Apareço por aqui depois de um longo tempo.
Tenho ficado na moita, observando sempre o mundo bloguistico, mas percorrendo e acompanhando os blogs daqueles que me são caros.
Logo logo estou de volta.
Abraços a quem é de abraços e beijos a que é de beijo.

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