Tela do artista plástico moçambicano Antero Machado.

Tela do artista plástico moçambicano Antero Machado.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Causos de Minas XXIII – Modernidades


Como eu já disse por aqui em outras oportunidades, o pessoal que mora no interiorzão fica prejudicado com relação as “modernidades” que aparecem nas cidades grandes.
O isolamento da roça propicia isso e cria situações pra lá de divertidas.

La em Catas Altas, bem no interior, em uma fazenda, moram uns conhecidos meus que tem um filho, caboclinho esperto, chamado Guaraci.
Estive lá por esses dias, pra ir a uma festa junina, muito comum por lá e o pai, Seu Antenor, me contou um caso que aconteceu com ele dias atrás.
Certo dia, a mãe entra na cozinha e pega Guaraci com uma cartela de Viagra na mão:
- Meu filho, o que você está fazendo com esse remédio?
- É qui eu tô codiarréia!
- Com diarréia? E quem te falô qui esse remedio é pra isso, minino??
- Uai, ocê mesmo! Onte di noite eu levantei pra í no banheiro e quando eu passei na porta seu quarto, ocê tava falano pro pai:
- Vai tomar Viagra pra ver se endurece essa merda homem!"

Falar o que, depois dessa?

Nesta mesma viagem, soube de outro caso, também acontecido nesta mesma época, por ocasião das festividades.
Uns primos de São Paulo foram passar as festas com os parentes na fazenda. Fato comum, pois a cidade fica cheia nesta época.
Alguns dias depois que chegou, estava lá o primo paulista esnobando com o primo minerim, se vangloriando com o que tinha ganhado de presente.
O primo da cidade, querendo se mostrar, falou:
- Primo, viu o que eu ganhei de presente? Um `Ipod`! Espetacular.
O primo caipira retrucou:
- Bão primo, muito bão!!bãodimais...
Aí o paulista perguntou:
- Você conhece? Ganhou um também??
- Ganhei isso aí tamém, uai.
- Mas, quem te deu?
- A prima.....tua irmã.
- E de que marca era?
- Sei lá, primo. Nóis dois tavaonti na cachueranadanu pelado. Eu cheguei por trás dela e incostei. Ela virou pra mim toda dengosa e falô: - Aí Pode! É bãodimaissssss, primo. Agora, si tem marca, eu sei não, aqui nóis conhece cum outro nome

É, nós aqui damos valor a outras coisas bem melhores de se lidar!

5 comentários:

  1. Ola amiga, vi o seu comentário num blog de uma amiga e portanto decidi vir visitar seu blog,muito bonito, visita o meu blog? http://assombrado-mc.blogspot.com Abraço

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  2. Kkkkkkkk,Seu contador de causo, não arrasa com nós interioranos, cá entre nós temos nossas modernidades:
    Em vez de clube, piscina com cloro, temos um rio com água transparente, onde peixe ainda vive;
    No lugar do zum, zum infernal na hora do almoço nos megas restaurantes e Fast Food da vida, aqui juntamos as panelas em casa de amigos.
    A frente do cafofo na sexta-feira, vira um boteco com direito ao entardecer da cor de ouro... Mas quando a caipora/cabocla sente falta das modernidades, compra e fala com amigos antenados modernosos pela net, não sou das Minas Gerais mas me viro sô!

    Lufe, tenha um ótimo fim de tarde!

    Beijooooooooooo

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    Respostas
    1. Bia,

      A gente brinca com essas historias porque tem um carinho imenso com esse povo.
      Que inveja eu tenho da vida privilegiada que vocês levam por aí.
      Um dia ainda chego lá....rs
      Ainda tem boto cor de rosa por ai fazendo estrepolias?

      bjo procê

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  3. kkkkk, Ipod/Aí pode é muito bom!Pelo menos o aí pode é uma interação humana, risos
    bjs
    Jussara

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    Respostas
    1. Oi Jussara,

      É das interações que a gente gosta.
      Essas modernices acabam com qualquer sociabilização, tornando as açoes bastante impessoais.
      Aqui a gente gosta do aprochego, do olho no olho, do toque e do cheiro. IPhone ou IPod tem isso?

      bjo procê

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