Tela do artista plástico moçambicano Antero Machado.

Tela do artista plástico moçambicano Antero Machado.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Causos de Minas XVIII - O Zé e a Maricotinha.


Lá pras bandas de Conceição do Mato Dentro, pertinho da Serra do Cipó, no meião das Minas Gerais, tinha um caboclo chamado Zé Duardo. Pelo menos assim ele se intitulava.
Mulherengo, safadardana, fala mansa, não perdia uma oportunidade de se enroscar com uma rapariga. Freguês assíduo da casa das mulher dama, ficava doidinho quando por lá aparecia uma moçoila nova, ainda recente na pratica da serventia. Coisa que raramente acontecia.
Das antigas ele já andava meio enfarado, já as percorrera todas, muitas vezes, conhecia curvas e atalhos e andava meio borocochô de repetir a dose. Até do cheiro de Avon das meninas, de que tanto ele gostava, já estava enjoado. Precisava variar o cardápio!
Ela estava ficando inquieto, subindo pelas paredes, já chamando urubu de meu louro.
Numa tarde, descendo a rua Direita, ele passa em frente a casa da luz vermelha e dá de cara com uma belezura de garota, que ainda de trouxinha na mão, acabara de chegar.
O homem ficou doidinho e foi direto conversar com a dona do prostibulo.
Conversou com a “madame” e logo depois foi apresentado à nova rapariga.
- Zé Duardo a seu dispor.
- Maricota, pois sim....
Ele de chapéu na mão, ficou encantado com a moçoila, que ainda inexperiente do oficio, em nada se parecia com as outras do local. Parecia uma recatada moça da roça, daquelas lindas de morrer, mesmo sem nenhum trato, que se vê muito por lá. Bem diferente daquelas outras já traquejadas do cabaré, todas pintadas, de unhas feitas, depiladas.... nada disso! 
Ele até botou reparo nuns cabelinhos do suvaco que apareciam na cava da blusa que ela vestia. Sinal que ainda não estava de todo na ativa. Pela mata virgem, faltava traquejo.
Endoidou de vez!! Se abilolou todinho!
Pediu preferência sem mesmo assuntar o preço e marcou com ela de voltar as sete da noite, pra promover a estréia.
A mocinha, ainda ruborizada, aquiesceu.
Ele foi embora pra casa e, de tão ansioso, nem voltou mais a trabalhar
Foi se preparar para o banquete,  tomar um bom banho de telha, botar agua de cheiro, arrumado numa fatiota nova, pra poder bem impressionar a futura presa.
O Zé era careca e usava uma peruca e, nessa ânsia toda, ele a perdeu
Foi se aproximando a hora do encontro, ele louco pra chegar junto e foi perder logo a peruca.
Desesperado procura em todo lugar, na sala, no quarto, no banheiro, debaixo da cama, nos armários e nada! Desesperado resolve ir assim mesmo.
A secura tava demais pra deixar de encontrar com aquela gostosura, mesmo estando sem a peruca. Sem ela se sentia pelado, mas não era assim que queria estar com a cobiçada?
Chegando lá, ela mostra estranheza, mas após a explicação, ela releva o fato.
A madame já havia lhe ensinado que uma das maiores artes do oficio era não refugar freguês. Afinal, para ela, o que era uma peruca? Com ou sem, vem que tem!
Foram pro quarto e ele apressadinho, logo logo começa uns amassos, se esfrega daqui e dali e o Zé, carequinha de tudo, se perde nas entre coxas da Maricota.
Entretido na função, de repente ele a escuta dizer:
- Olha que bunitinho! Você achou sua peruca?
Ele, sem tirar o rosto do local do serviço, olha de soslaio pro espelho da penteadeira e responde:
- Não, essa não é a minha, a minha era mais feinha, lisinha e partida de lado.....

Podem acreditar, depois daquele dia e até hoje, lá por aquelas bandas ele é conhecido como Zé Topete! E ele nem liga, deixou até mesmo de usar a peruca.
Maricota,  após a noite de estreia, nunca mais voltou a ativa, arrumou sua trouxinha e agora mora com o Zé,  que tambem nunca mais voltou à zona, preferindo se enfeitar e se enroscar nos pelos da Maricotinha.

Tela: Bordel - 1930 - Di Cavalcanti


8 comentários:

  1. Cara! Tô cansada e ressacada da festa junina, não da cachaça, mas da"responsa", pela primeira vez não li seu texto, tudo bem, leio amanhã, ele não vai sumir... Mas ocê, não vai escapar da visita num dia que eu, nós, nos perdermos em Minas, até a nossa cadela, sabe de ocê rrsrssr, eita farra!

    Sonhe nos braços de Morfeu! OPs!!! Afrodite!

    Lufe, grata pela presença e o carinho de sempre! Ah! O seu saco de juta só aumentando... O correio do jeito que tá ruim, não vai aguentar...

    Beijãooooooooooo

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  2. Eita mineirinho esperto!

    Essa tela de Di Cavalcanti, não a conhecia, me fez lembrar as fofas de Botero...

    Lufe, tenha uma ótima terça!

    Beijooooo

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  3. Grande Lufe! Amigo dos bons contos!

    Se fosse nos bordeis modernos o Zé tava frito.
    Elas hoje não deixam mais a peruca "crescer"!

    Abraço forte irmão!

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  4. Lufe, quando eu era criança, o pai de uma amiga era calvo e tinha uma coleção de perucas, todo mundo notava que não eram cabelos naturais. Sempre achei aquilo esquisito, eu não conseguia olhar o rosto dele e sim a figura que era. Contudo, apesar da aparencia caricatural, ele era muito divertido.

    Bjs

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  5. Hilário!
    Adorei esse causo, como diz o outro. Imagino a cena! Ai, que vergonha; mas o cara tinha borogodó, né.
    Final feliz pros dois, tudo bem...
    Maravilha de conto.
    Beijo grande/ Mery*

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  6. ahahah mas foi um caso de final feliz, né? rs. gostei!
    mto bacana a escolha da ilustração, o fantástico Di Cavalcanti.

    grande abraço, Lufe!

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  7. hahaha, Avon realmente faz sucesso (embora eu também goste). Puxa, fiquei imaginando a cena do cabelinho no suvaco...E a peruca, na hora h não iria se perder de qualquer jeito? hahaha Tanto não fez diferença que a Maricota encontrou, enfim, um bom rumo para sua vida. E o Zé, pelo jeito, sossegou o pito. Peruca pra que? Um abraço!

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